Blog do Fale - Levante sua voz contra a injustiça!

quinta-feira, 4 de março de 2010

Semana Mundial de Oração Contra a Pobreza


Por Lenildo Medeiros


"A pobreza é uma injustiça – algo que não podemos ignorar". Pensando nisso, a organização humanitária cristã britânica Tearfund está convidando as igrejas brasileiras a participarem de um evento mundial de oração contra a pobreza. Durante uma semana, de 1 a 7 de março, milhares de cristãos ao redor do mundo estarão orando simultaneamente sobre este tema e pelas pessoas que sofrem por não terem casa, comida, saúde, educação, saneamento, enfim, que sentem na pele a dor da injustiça social. O lema da campanha é: "Uma Voz. Um Povo. Uma Oração".

O representante nacional da Tearfund para o Brasil, João Martinez da Cruz, orienta que a metodologia poderá incluir: 1. dedicar toda uma reunião ou culto para abordar temas de pobreza e justiça e orar sobre eles; 2. dedicar apenas uns 10 minutos para divulgar os materiais da Semana de Oração e motivar as pessoas a participarem (a Tearfund está disponibilizando recursos em português: Guia de orientações para organizadores, com sugestões bem criativas para conduzir um grupo em oração e histórias de transformação; Guia de oração, com textos bíblicos e comentários para cada dia da campanha; e uma lista especial com Pedidos de Oração); 3. sugerir que os grupos familiares ou os diferentes ministérios da sua igreja usem os materiais da Semana de Oração; 4. acrescentar o seu pedido de oração ao mural online de oração, enviando um email para onevoice@tearfund.org com o seu nome, o nome da sua igreja ou grupo e o da sua cidade.

A Lista de Pedidos de Oração relaciona e detalha os elevados alvos da campanha de oração da Tearfund, buscando combater injustiças que trazem consequências terríveis para a vida das pessoas e suas famílias. Veja alguns tópicos, mas não deixe de ler os pedidos específicos que cada um deles contém, baixando a lista na íntegra: "Orando sobre o impacto das mudanças climáticas; Orando sobre o impacto do HIV; Orando sobre questões de insegurança alimentar; Orando pelas crianças em situação de risco; Pedidos de oração pela República Democrática do Congo; Orando pela África Ocidental; Orando pela Ásia; Orando pela América Latina e Caribe; Orando pela África Meridional; Orando pela África Central e Oriental".

Leia o convite da Tearfund aos cristãos brasileiros para a semana de oração: "Levante a sua voz em oração e louvor ao nosso Deus de amor, esperança e transformação. Faça parte de um movimento mundial de pessoas que buscam a Deus – orando e agindo por justiça, misericórdia e um fim à pobreza. Março de 2010. Igrejas locais, igrejas em pequenos vilarejos, igrejas nos lares, pequenos grupos, indivíduos – a igreja em todo o mundo vai orar em uma só voz, de 1 a 7 de março. Faça com que a sua voz seja ouvida e faça parte deste movimento mundial de oração! Essa iniciativa cria uma oportunidade para nos conectarmos com o nosso Deus Todo-Poderoso e uns com os outros através da oração, ouvindo a Deus quando buscamos a justiça, a misericórdia e o fim da pobreza. A iniciativa "Uma Voz" nos leva a orar por mudanças e sermos um instrumento de mudanças. "Da multidão dos que creram, uma era a mente e um o coração" - Atos 4:32."

E para não ficar apenas na semana e na campanha, a convocação da Tearfund se estende e amplia através da proposta de continuidade da oração no restante do ano e com o convite à mobilização e à ação direta nas comunidades: "Quando oramos, as coisas começam a mudar. A oração leva à ação. As nossas orações e ações não devem ser restritas a apenas uma semana. Como cristãos, elas devem ser uma parte integral das nossas vidas. Por causa disto, estamos convidando as pessoas a responderem a esta iniciativa: continuando a orar, participando em campanhas por justiça e, através das nossas próprias igrejas, fazendo a diferença em nossas comunidades locais", concluem os organizadores.

Fonte: Agência Soma

Leia também sobre a Semana de Oração:
+ Mais detalhes em português.
+ Mais detalhes em inglês, um clipe, o mapa e o mural de oração.
+ Site da campanha.
+ Lista de Pedidos de Oração

Alimentação é um direito

Por Marília Gonçalves

Está na Constituição: a alimentação é um direito social. Foi aprovada esse mês no Congresso Nacional a Proposta de Emenda Constitucional 047/2003, que inclui a alimentação na lista dos direitos sociais garantidos pelo Estado brasileiro. Até então, eram direitos sociais educação, saúde, trabalho, moradia, lazer, segurança, previdência social, proteção à maternidade e à infância e assistência aos desamparados.

A aprovação da PEC tira as políticas ligadas à alimentação da esfera de governo. Agora, garantir a alimentação saudável dos cidadãos brasileiros é uma responsabilidade do Estado. O presidente do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea), Renato Maluf, lembra que governos de estados e municípios também passam a ter a responsabilidade de se adequar a políticas nacionais neste sentido, ainda que sejam de partidos da oposição.

A pesquisadora e conselheira do Consea, Daniela Frozi, lembra que o direito à alimentação não é só a garantia de um prato de comida, mas de uma comida produzida numa cadeia sustentável, de maneira ética com as pessoas e o meio ambiente. Daniela afirma que, no mundo capitalista, o alimento passa a ser também uma mercadoria e, portanto, torna-se legítimo que algumas pessoas não tenham acesso a ela, por não terem dinheiro para comprá-la.

Agora, como direito garantido constitucionalmente, a política de alimentação não pode ser entendida como assistencialista e a população que necessita do acesso facilitado ao alimento deve perder o estigma de “assistida”. “O estado tem de cumprir seu dever de tirar o cidadão do estado de risco”, afirma Daniela. A pesquisadora acredita que, no Brasil, criou-se uma imagem negativa do assistido por políticas públicas, o que causa constrangimento e dificulta que o direito seja cobrado.

Para o presidente do Conselho, o próximo passo é criar os instrumentos que tornem esse direito efetivo. “Os meios de exigibilidade deste direito têm de ser criados. Não adianta ter garantido um direito e não ter um meio onde ele possa ser exigido”, afirma o presidente. Desde 2006, vigora a lei n° 11.346, que criou o Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (SISAN). Até agora o Sistema, que seria uma espécie de SUS do direito à alimentação, não funciona efetivamente. Daniela acredita também que o próximo passo seja fazer funcionar esses mecanismos de exigibilidade. “Se acontece um acidente na rua, seja qual for a classe social da pessoa, ela será encaminhada a um hospital público. É um direito dela. É preciso entender a alimentação assim”, afirma Daniela.

Outra necessidade é comunicar a aprovação da PEC, para que os cidadãos conheçam este direito e possam identificar sua violação. A conselheira lamenta que na rede pública de ensino muitos não entendam a merenda escolar como um direito. Acham que é uma espécie de favor, que varia de acordo com a direção da escola. “Temos que divulgar esse direito até o último homem, a última mulher, a última criança nos confins do Brasil”, finaliza Daniela.

Fonte: Observatório das Favelas

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Fórum Jovem de Missão Integral - Paracambi (RJ)






















Para maiores informações, clique aqui.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Ficamos insensíveis - entrevista com Ronald Sider

Autor de "Cristãos ricos em tempo de fome" e de "O escândalo do comportamento evangélico", Ronald Sider faz suas críticas com amor

Ronald Sider não é um cristão comum. Não por ser PhD em história da Reforma por Yale, uma das mais prestigiadas universidades dos Estados Unidos, ou por ter escrito um livro que é considerado referência cristã no século 20, Cristãos ricos em tempo de fome, que já vendeu mais de 400 mil cópias. É que, aos setenta anos de idade, ele é testemunha de uma mudança de comportamento da Igreja Evangélica, que, no seu entender, fez dela uma instituição mais insensível em relação ao mundo que a cerca. “Ficamos maiores, mais ricos e mais famosos”, sintetiza. Tal conclusão é a base do inquietante trabalho de Sider. Teólogo, professor, palestrante, fundador e presidente do ESA (Evangelicals for Social Action – “Evangélicos por Ação Social”), ele é um ativista da igualdade. E o faz pelo viés do convencimento dos cristãos acerca da justiça social.

Nascido numa área rural de Ontário, no Canadá, Sider é filho de pastor, e hoje vive com a mulher numa casa de um bairro majoritariamente negro na Filadélfia. Membro de uma comunidade menonita, é um homem de sorriso aberto e voz suave, características que, no entanto, não amenizam seu duro discurso contra o materialismo que, na sua ótica, tomou conta de grande parte da Igreja Evangélica contemporânea, como diz em outra obra, O escândalo do comportamento evangélico (Editora Ultimato). Contudo, não é simplesmente um franco atirador e tempera suas críticas com palavras de misericórdia e esperança na Igreja e no futuro.

Ronald Sider esteve no Brasil pela primeira vez no fim de agosto, a fim de participar do encontro nacional da Rede Evangélica Nacional de Ação Social, a Renas, no Rio de Janeiro. Na ocasião, conversou com a reportagem de CRISTIANISMO HOJE:

CRISTIANISMO HOJE – Em seu livro, o senhor defende que a Igreja precisa se arrepender. De quê?

RONALD SIDER – Quando eu era jovem, quase todos os líderes cristãos diziam que a missão da Igreja era o evangelismo, mas eram muito pouco preocupados com ministérios sociais ou com a luta por justiça econômica. Nós negligenciamos isso por muito tempo, e é algo de que precisaríamos nos arrepender. Outro ponto sobre o qual a Igreja precisa pedir perdão é por séculos e séculos de esquecimento em relação a tantos versículos bíblicos que nos mandam olhar pelos pobres. Por muito tempo, esse tem sido um tema esquecido em nossas igrejas. O pastor Rick Warren [dirigente da Igreja de Saddleback e autor do best-seller Uma vida com propósitos] confessou isso há uns sete anos. Nós precisamos nos arrepender por termos negligenciado os mandamentos bíblicos de compromisso com os pobres; parece que simplesmente não lemos uma boa parte da Bíblia.

E em relação ao papel da Igreja na sociedade?

Essa é justamente a terceira área em que, na minha opinião, precisamos, como cristãos, de arrependimento. Nossa ação política sempre foi biblicamente desequilibrada. Nossos representantes falam muito contra o aborto, ou sobre temas como família e sexualidade – que, evidentemente, são preocupações pertinentes –, mas quase nada sobre justiça social, combate à pobreza ou questões ambientais, que também são bíblicas. Ora, se são políticos e cristãos, é preciso que se importem com o que Deus se importa: com os pobres, com a prática da justiça e com o meio ambiente.

Um de seus livros mostra que a vida de um cristão praticamente não difere da de um não-cristão…

Não posso falar do Brasil, mas, nos Estados Unidos, certamente não difere. Existe em mim uma voz bastante otimista que me diz, com alegria, que estamos avançando, aproveitando as oportunidades para fazer diferença. Mas existe uma outra voz, pessimista, que me alerta que não fazemos diferença alguma. Entre os jovens, por exemplo, há uma pequena mudança no comportamento sexual dos crentes, mas não muito grande. Dentro das denominações evangélicas dos EUA, o número de casos de abuso físico e sexual entre membros de uma mesma família praticamente não difere do restante da sociedade. Em termos de racismo, nós, cristãos, somos piores que os outros – e não reconhecemos que o sistema da nossa sociedade, que tendemos a reproduzir, é discriminatório em relação aos latinos e outra minorias.

Por que isso acontece?

Em parte, porque crescemos, tornamo-nos grandes, conquistamos sucesso e fazemos parte dessa cultura do crescimento. Ficamos maiores, mais ricos e mais famosos… Não faz muito tempo, uma das marcas da Igreja era a de ser separada do mundo. Éramos muitas vezes legalistas e até tolos em nosso comportamento, mas éramos separados, diferentes do mundo. Hoje, não nos sentimos mais separados do mundo – ao contrário, fazemos parte dele.

Isso compromete o testemunho cristão?

Completamente. Esse tipo de comportamento mina dramaticamente a nossa credibilidade. Nosso discurso de mudança de vida a partir de um encontro com Cristo perde o sentido para as pessoas comuns.


+ Leia a entrevista completa aqui.

Fonte: Cristianismo Hoje


segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Alimentação agora é direito constitucional

Campanha pela aprovação da PEC 047/2003 tem resultado favorável

05.02.2010

Agora está na Constituição Federal. Nesta quinta-feira, ao meio-dia, em sessão solene do Congresso Nacional no plenário do Senado, foi promulgada a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 047/2003, que inclui o direito humano à alimentação entre os direitos sociais da Carta Magna. Com o nome "Emenda Constitucional 64, de 2010", a aprovação altera o Artigo 6º da Constituição para introduzir a alimentação como direito social.

A nova emenda foi publicada no Diário Oficial da União nesta sexta-feira (5). Até então, eram direitos sociais educação, saúde, trabalho, moradia, lazer, segurança, previdência social, proteção à maternidade e à infância e assistência aos desamparados.

De autoria do senador Antônio Carlos Valadares (PSB-SE), no Senado Federal passou por comissões e foi aprovada em todas as instâncias e pelo plenário em dois turnos, com mais de 3/5 dos votantes.

Na Câmara, tramitou por comissões e em novembro do ano passado foi aprovada em primeiro turno. Como emenda à Constituição não precisa de sanção do presidente da República, a PEC Alimentação, após aprovada em segundo turno na Câmara, seguiu diretamente para promulgação.

O presidente do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea), Renato Maluf, aponta que a aprovação da proposta torna a alimentação uma questão de Estado, e não política de um ou outro governante. "Assegurar o direito à alimentação e, com ele, a soberania e a segurança alimentar e nutricional, passa a ser dever de Estado, não apenas deste ou daquele governo. Importante dizer que se trata de obrigação a ser assumida pela sociedade", afirmou.

Crispim Moreira, secretário Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), comemorou a conquista: "O Estado brasileiro passa a um patamar superior no conjunto dos direitos sociais. Torna responsabilidade do poder público promover o direito da população à alimentação".

Segundo o relator da comissão especial que analisou a proposta, deputado Lelo Coimbra (PMDB-ES), "a inclusão atende a tratados internacionais aos quais o Brasil aderiu, garantindo que as ações de combate à fome e à miséria se tornem políticas de Estado e não estejam sujeitas a mudanças administrativas".

Fonte: MDS/ Consea/ Agência Brasil


terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Direito à alimentação entra em pauta no Congresso Nacional

Primeira pauta do ano poderá incluir votação da PEC da Alimentação

O direito à alimentação poderá ser incluído em breve na Constituição como um dos direitos sociais dos brasileiros. Falta apenas o segundo turno de votação na Câmara para a PEC da Alimentação (47/03, do Senado) ser aprovada pelo Parlamento.

Já aprovada no Senado, a proposta de emenda à Constituição teve votação favorável em primeiro turno na Câmara, no início de novembro. Agora, consta como o terceiro item da pauta de votação no Plenário da Casa para o início dos trabalhos legislativos, na próxima semana. Governo e oposição são favoráveis à medida.

Atualmente, o texto constitucional prevê como direitos sociais a educação, a saúde, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, e a assistência aos desamparados.

Políticas públicas - Na avaliação do deputado Nazareno Fonteles (PT-PI), a inclusão desse direito na Constituição é um importante passo para se criar políticas públicas contra a fome e a desnutrição. "Quando um direito se torna fundamental, a cobrança às prefeituras, aos governadores, ao presidente da República ou mesmo o acionamento do Ministério Público se torna mais fácil, para que de fato ninguém passe fome", entende o deputado.

Fonteles acredita que a aprovação da proposta evitará a desnutrição das crianças e garantirá às gestantes uma boa assistência alimentar, independentemente de sua condição de renda. "Essa visão de direito não havia em relação à alimentação e, agora, a gente passará a ter. Com isso, podemos avançar, como avançamos com a educação e a saúde."

Consenso na oposição - Para a oposição, há consenso para votar a matéria e aprová-la em segundo turno, sustenta o deputado José Aníbal (PSDB-SP). "Já foi votada em primeiro turno e tem todas as condições de ser votada em segundo turno. Nós, de oposição, não temos restrições. Ao contrário, apoiamos e ajudamos a votar no primeiro turno."

Significado simbólico - O reconhecimento constitucional do direito humano à alimentação tem também um significado simbólico, observa o diretor do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase), Francisco Menezes. "A Constituição é o documento máximo em termos de regulamentação no País. Portanto, o reconhecimento do direito humano à alimentação na Constituição terá primeiro um significado simbólico, como um direito fundamental", avalia.

Com a aprovação da medida, acrescenta Menezes, se abre a possibilidade para que qualquer cidadão comum recorra, invocando a Constituição, para o cumprimento de seus direitos e dos direitos de outras pessoas. Quase que dia a dia nos deparamos com situações de violações desse direito. Não temos ilusões de que basta estar na Constituição para que os direitos estejam garantidos, mas acreditamos que vai ser uma contribuição grande em relação ao próprio direito à vida", afirma.

Veja integra da proposta da PEC-47/2003

Fonte: Agência Câmara

sábado, 30 de janeiro de 2010

Só os jovens podem livrar o Brasil de uma crise em 2030

25/01/2010

Por João Campos

Estudo inédito revela que só os jovens podem salvar o Brasil de uma iminente ruína econômica. Caso o país não adote políticas públicas para a formação adequada e a inclusão da população de 15 a 24 anos no mercado de trabalho nas próximas duas décadas, o Estado não vai suportar a carga de despesas com os idosos. O alerta é um dos apontamentos feitos no livro A Juventude Brasileira em um Contexto Atual e em um Cenário Futuro, que reúne pesquisas de diversas universidades públicas e órgãos do governo federal, lançado nesta última sexta-feira, 22 de janeiro, na UnB.

A lógica da projeção se baseia no fato de que, até 2030, haverá uma redução de 18,3% no número de jovens brasileiros, população, hoje, na casa dos 37 milhões. “Isso significa o envelhecimento da população e o aumento das despesas com os inativos. Em outras palavras, proporcionalmente, teremos menos pessoas trabalhando para movimentar a economia e mais aposentados a serem pagos pelo Estado”, comenta Glauco Umbelino, do Centro de Planejamento e Desenvolvimento Regional de Minas Geras (Cedeplar).

O especialista ressalta que, hoje, o Brasil se encontra no auge da sua força de trabalho. A população ativa nunca foi tão alta, o que impulsiona a economia do país. No entanto, ele alerta para a necessidade de se preparar para combater a queda na produtividade por conta da diminuição na taxa de fecundidade – número de nascimentos – registrada desde a década de 1960. “Com menos pessoas trabalhando, a saída vai ser substituir a quantidade pela qualidade”, comenta Rosemary Barber-Madden, doutora em Administração Pública e pesquisadora associada da UnB.

A estudiosa, idealizadora da publicação que tem com objetivo embasar futuras políticas públicas para a juventude brasileira, ressalta que deve haver um leve aumento no número de ativos entre 2006 e 2030 – de 53 milhões para 55,6 milhões. No entanto, estudos apontam que a participação dos jovens no mercado de trabalho deve cair de 21,5% para 14,3% no mesmo período. “Em partes, isso se deve à queda na população jovem. Mas também à falta de políticas de inclusão deles no mercado, que ainda hoje encontram dificuldades para encontrar emprego”, completa.

PONTOS POSITIVOS – Na área da educação, o livro mostra que as grandes cidades brasileiras podem, praticamente, erradicar o analfabetismo até 2030. “Se as taxas de redução do analfabetismo registradas entre 1996 e 2006 se mantiverem, o número de pessoas que não sabem ler e escrever, entre 15 e 24 anos, cairá para 0,18%, praticamente nulo”, comenta a representante do Fundo de População das Nações Unidas, Taís Santos. A projeção otimista significa 119 mil jovens analfabetos a menos.

O acesso aos serviços de saúde também devem ser ampliados nas próximas duas décadas. No entanto, a pesquisa alerta que o número de mortalidade (mortes) e morbidade (doenças) entre jovens pode aumentar. “As melhorias – mais educação e mais saúde - implicam em um aumento geral no poder de compras que, por sua vez, leva a mais acidentes de trânsito e uso de drogas, umas das principais causas de mortes entre jovens”, observa Glauco, que destaca a necessidade de uma mudança comportamental entre os mais novos.

A população jovem mundial nunca foi tão alta. Ao todo, 1,2 bilhões de pessoas têm entre 15 e 24 anos no planeta Terra. No entanto, 208 milhões de jovens ainda vivem com menos de US$ 1 por dia. E 511 milhões não contam com mais de US$ 2 para viver diariamente. Na opinião do secretário nacional de Juventude, Beto Cury, o livro lançado na UnB representa um importante complemento às ações de valorização da juventude. “É preciso que o tema se torne efetivamente uma política de Estado. Para que os jovens sejam o futuro do país é preciso cuidar do presente”.

Fonte: Jornal da Imprensa